Tendo por base a análise levada a cabo por diversos instrumentos nacionais e internacionais, nomeadamente pelo próprio GEM – Global Entrepreneurship Monitor | 2009 e também a experiência de acompanhamento de centenas de projectos Empreendedores, é consistente a ideia de que um dos principais desafios que hoje se coloca ao Empreendedor tem a ver com a partilha de risco e com a pressão do medo de falhar!
De facto, hoje um dos maiores dilemas que se exerce actualmente sobre os Empreendedores, em termos culturais, educacionais e sociais, assenta precisamente na pressão social sobre a possibilidade de falhar, que conduz ao estigma do insucesso.
O Estado pode ter, nesta matéria, um papel preponderante.
A proposta de definição de políticas de incentivos e de apoio ao Empreendedorismo que induzam e potenciem uma espécie de “prémio de risco” face à atitude Empreendedora e Inovadora faz todo o sentido no actual contexto de desenvolvimento económico e social que vivemos em Portugal. É que os riscos actualmente associados ao Empreendedorismo não são colocados adequada e proporcionalmente, tendo em linha de conta as possibilidades de concretização dos projectos e os seus respectivos níveis de “recompensa” para os Empreendedores, em caso de sucesso.
Na União Europeia, têm sido levadas a cabo diversas medidas tomadas pelo Estado, que mostram claramente uma tendência que visa potenciar o referido “prémio de risco” para os Empreendedores, por exemplo, através da redução do nível de impostos para os mesmos e para as Start Ups, em geral.
Além disso, no presente contexto económico-social difícil, os empreendedores que, segundo um processo transparente e honesto, tiveram um resultado de insucesso porque não foram capazes de competir no mercado, poderiam ter acesso a leis de insolvência revistas que lhes permitissem ver reduzidas as barreiras para um novo recomeço, enquanto asseguravam a não existência de consequências negativas para os interesses dos seus credores e, por outro, incorporavam as “lessons learned” das experiências anteriores.
A perspectiva de insucesso, para quem assume riscos de empreender negócios inovadores, constitui parte intrínseca da vida económica, e não pode ser tomada como um factor de pressão ou de desmotivação que conduza à passividade, mas, ao invés, deve obedecer a uma mudança de mentalidades que passa por um conjunto de políticas e de medidas que o Estado pode tomar, no domínio Educativo, por meio de programas educacionais que promovam a cultura do risco e da sua gestão, por meio de programas Fiscais, que induzam incentivos aos projectos empreendedores e por meio de quadros Legislativos, que originem revisão de leis, nomeadamente as que se referem à insolvência e que visem a oportunidade de começar de novo!”
Filipe Pamplona de Castro Soeiro
Membro da Direcção da APBA
Vogal da Comissão Executiva da SGE09